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Fajã da Caldeira de Santo Cristo

São Jorge é uma das nove ilhas do Arquipélago dos Açores, integra o Grupo Central e é um dos vértices das chamadas "ilhas do triângulo", em conjunto com o Faial e Pico. Tem 54 quilómetros de comprimento e 6,9 quilómetros de largura máxima, tendo como área total 243,9 km2 e cerca de 9171 habitantes (dados de 2011). Esta ilha tem como particularidade a multiplicidade de fajãs ao longo do litoral.

As fajãs são áreas planas junto ao mar e debruadas por arribas imponentes, estas resultam quer de fluxos de lava que avançaram mar dentro, quer de desprendimentos de terras e rochas encosta abaixo devido a abalos sísmicos, chuvas intensas ou outras instabilidades que afetam as arribas. Estas desenvolveram sistemas lagunares associados, únicos da região e muito pouco comum em ilhas vulcânicas oceânicas, proporcionando zonas húmidas raras e únicas e de elevada biodiversidade.

Entre as inúmeras fajãs existentes nesta Ilha, destacase pela sua beleza e popularidade a fajã de Santo Cristo, localizada na freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta. Caracterizase pela sua dimensão ecológica, tem características que proporcionam habitats para espécies endémicas e únicas em Portugal, tendo também condições para a nidificação e passagem de aves migratórias.

A descida pela Caldeira de Cima (trilho que desce da Serra do Topo) é o percurso preferido pelos grupos de turistas que a esta fajã se deslocam. A saída efetuase normalmente pelo trilho que leva à vizinha Fajã dos Cubres (a cerca de 3 km a oeste) e pela abandonada Fajã do Belo. Estes trilhos estão devidamente assinalados e tem como grau de dificuldade 2, segundo a DRT (2000).

O trilho que desce a Serra do Topo atravessa toda uma Zona de Protecção Especial da Natureza, designadamente classificada como Reserva Natural, pelo Governo Regional dos Açores, especialmente por causa da existência de amêijoas na sua lagoa denominada: Lagoa da Fajã de Santo Cristo, mais tarde classificada como Sítio de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de RAMSAR ( Convenção sobre as Zonas Húmidas), relativa às Zonas Húmidas de Importância Internacional como Habitat de Aves Aquáticas, graças à sua lagoa.

Os habitantes da Fajã de Santo Cristo eram (e os poucos residentes ainda o são) autosuficientes: fabricavam nos seus teares, produziam artesanato em vimes, cultivavam os campos e utilizavam as ricas pastagens para a criação de gado. O restante alimento provinha do mar que os rodeia e da fauna das serras circundantes. Atualmente residem oito pessoas a tempo inteiro na fajã, ainda que muitas pessoas já tenham adquirido o hábito de lá passar o fimdesemana, em particular a juventude jorgense, e os adeptos de desportos náuticos, ditos radicais.